SAÚDE MATERNA: o direito a cuidados de boa qualidade

THE LANCET

The Lancet – Edição Setembro/2016. SAÚDE MATERNA – “Cada mulher, cada recém-nascido, em toda parte, tem o direito a cuidados de boa qualidade”.

The Lancet, um dos mais respeitados jornais médicos do mundo, publicou em setembro deste ano uma série de artigos discutindo aspectos da saúde materno-infantil e seus desafios em escala global. A série destaca informações intrigantes que demonstram a grande desigualdade existente entre regiões e países. Assim, ainda que tenha ocorrido uma redução significativa na mortalidade materna (44% desde 1990) e um aumento importante na utilização de serviços de saúde, alguns países e grupos de mulheres viram pouco ou nenhum avanço no desenvolvimento para a saúde materna. Como um exemplo extremo desta desigualdade de tratamento e acesso a recursos, na África Subsaariana, 1 em cada 36 gestantes corre risco de morte. Já em países mais ricos, este número é de 1 morte a cada 4.900.

A morte materna configura uma flagrante violação aos direitos humanos de mulheres e crianças e representa um grave problema de saúde pública, atingindo desigualmente as regiões com maior prevalência entre mulheres das classes sociais com menor ingresso e acesso às ferramentas sociais. O mais trágico dessa situação é que, segundo o Manual dos Comitês de Mortalidade Materna do Ministério da Saúde (2007), trata-se de uma tragédia evitável em 92% dos casos. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estimou que em 1990, aproximadamente 585 mil mortes por complicações ligadas ao ciclo gravídico-puerperal.

Segundo a série do The Lancet, o cuidado à saúde materno infantil deve evitar dois extremos: o “muito pouco – muito tarde” – derivado da escassez de serviços de saúde e o “demasiado – muito cedo” – derivado da abundância de recursos e de sua sobreutilização. A saúde materno-infantil, mais do que da abundância de recursos, depende da utilização judiciosa, eficiente e segura dos recursos existentes. Como destaca o jornal: “Em todos os lugares, cada mulher e cada recém-nascido, têm o direito a atenção de boa qualidade”.

Alinhado a essas perspectivas, Goiás estabeleceu prioridades que visam melhorar todo o ciclo de atenção materno infantil. O alcance desses objetivos esbarra nas dificuldades em estabelecer um monitoramento constante do nível e da tendência da mortalidade materna: a subnotificação dos casos e o sub-registro da causa destes óbitos.

Atingir maior eficiência no acompanhamento das gestantes e dos recém-nascidos exige mais do que a realização de exames e presença em consultas. Requer um cuidado longitudinal, permanente e proativo, capaz de detectar problemas, prevenir ocorrências e promover uma gestação mais saudável para todas as goianas. O cuidado de má qualidade, escasso e tardio põe em risco a saúde das mulheres e seus recém-nascidos. Entretanto, o jornal pontua que as oportunidades para melhoria na qualidade do atendimento e na redução das desigualdades de acesso não ocorrem apenas na adoção ampla e eficaz de intervenções e modelos de atenção à saúde materna, mas também nos mais amplos desenvolvimentos relacionados a continuidade e constância desses cuidados.

Alinhado às grandes tendências globais e nacionais, o Estado de Goiás está consolidando uma grande estratégia para reduzir significativamente 30% da mortalidade infantil no estado nos próximos 2 anos. Parte central desta estratégica é a utilização de modernas tecnologias para acompanhar todo o ciclo de cuidados materno-infantil na rede se saúde do estado por meio do Sistema SIGA Saúde e seus diferentes módulos. As novas tecnologias permitirão ao Estado de Goiás mais do que simplesmente conhecer os resultados alcançados. Permitirá avaliar, de forma contínua, as ações de saúde realizadas e seus resultados. Adicionalmente, com a utilização de um sistema de prontuário eletrônico, será possível conhecer e personalizar o processo de cuidados, possibilitando maior eficácia e resolutividade.

Os módulos de sistema implantados e em implantação, chamados SIGA Mamãe e SIGA Bebê, com foco absoluto na atenção materno-infantil permitirão o seguimento individualizado das gestantes e dos bebês, possibilitando identificar se os procedimentos, consultas e exames estão sendo feitos no tempo e na quantidade adequados. Além disso, a localização das gestantes por georreferenciamento capacitará os gestores da saúde acompanhar, com grande precisão, a efetividade das ações de saúde materno-infantil em cada bairro, cidade e região do Estado.

O The Lancet finaliza destacando o papel das políticas de inovação tecnológica e uso das tecnologias da informação no alcance de uma cobertura de saúde universal e as possibilidades que possuem para gerar novas abordagens para melhoria da saúde das mulheres e recém-nascidos. O acesso à tecnologia e à informação longe de ser um fim em si mesmo apresenta uma mudança paradigmática na estratégia para melhorar e universalizar uma saúde materno-infantil altamente resolutiva e eficiente.

Finalmente, a melhoria nos índices de saúde materno-infantil de Goiás, mais do que uma necessidade local, se configura em imperativo universal. O alcance de melhores condições de saúde para mamães e bebês demanda, por seu turno, a existência de um processo continuado de cuidados em saúde que, por sua vez, requer informação confiável e atualizada.

(Colaboração de Eugenio Zimmer, consultor em e-Saúde)

2 Comentários para: “SAÚDE MATERNA: o direito a cuidados de boa qualidade

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